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Em Português

Las palabras de Saramago


Gabo

Jueves, 17.04.14

Os escritores dividem-se (imaginando que aceitem ser assim divididos…) em dois grupos: o mais reduzido, daqueles que foram capazes de rasgar à literatura novos caminhos, o mais numeroso, o dos que vão atrás e se servem desses caminhos para a sua própria viagem. É assim desde o princípio do planeta e a (legítima?) vaidade dos autores nada pode contra as claridades da evidência. Gabriel García Márquez usou o seu engenho para abrir e consolidar a estrada do depois mal chamado “realismo mágico” por onde logo avançaram multidões de seguidores e, como sempre acontece, os detractores de turno. O primeiro livro seu que me veio às mãos foi Cem Anos de Solidão e o choque que me causou foi tal que tive de parar de ler ao fim de cinquenta páginas. Necessitava pôr alguma ordem na cabeça, alguma disciplina no coração, e, sobretudo, aprender a manejar a bússola com que tinha a esperança de orientar-me nas veredas do mundo novo que se apresentava aos meus olhos. Na minha vida de leitor foram pouquíssimas as ocasiões em que uma experiência como esta se produziu. Se a palavra traumatismo pudesse ter um significado positivo, de bom grado a aplicaria ao caso. Mas, já que foi escrita, aí a deixo ficar. Espero que se entenda.

José Saramago

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Ler Blimunda dedicada a Gabriel García Márquez

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Trigo Limpo teatro ACERT llevará "E Viaje del Elefante" para 13 localidades portuguesas más

Miércoles, 16.04.14

(foto Miguel Gonçalves Mendes)

El elefante articulado de seis metros de altura construído por Trigo Limpo teatro ACERT para El Viaje dek Elefante, espetáculo basado en el cuento homónimo de José Saramago, continuará su viaje. Después de recurrir ocho ciudades de la Península el año pasado, la compañia tiene ya agendada presentaciones en otras 13 localidades portuguesas para los próximos meses.

La primera parada de Salomão será en Viseu, el 24 de maio. 

El calendário del espetáculo es:

 

Mayo

20 a 24 Viseu

Junio

3 a 7 - Penalva do Castelo

10 a 14 – Nelas

17 a 21  Oliveira de Frades

24 a 28 – Vouzela

Julio

8 a 12 - Aguiar da Beira

22 a 26 – Vila Nova de Paiva Agosto

12 a 16 - Sátão

19 a 23 – Santa Comba

Dão 26 a 30 – Castro Daire

Septiembre

2 a 6 – Carregal do Sal

9 a 13 – Mangualde

16 a 20 – S. Pedro do Sul

 

 

Para más informaciones sobre el espetáculo visite: http://www.acert.pt/aviagemdoelefante/

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José Saramago dá nome a novo avião da TAP

Lunes, 14.04.14

Há alguns anos, à partida para (mais) uma viagem de avião, e diante do painel de azulejos dedicado a Bartolomeu de Gusmão, que acolhe os passageiros no Aeroporto da Portela, alguém disse a José Saramago que seria extraordinário se um avião recebesse o nome de Blimunda, a mulher que via por dentro das pessoas e recolhia vontades para que a passarola chegasse a levantar voo.

O sorriso de José Saramago foi a forma de manifestar o seu agrado perante tal inaudita ideia.

Agora, por iniciativa da TAP, não será o nome de Blimunda a cruzar os céus, mas o do próprio Escritor, Prémio Nobel de Literatura. Trata-se de um Airbus A320, com a matrícula CS – TNW, que entra ao serviço da companhia este Verão e é um dos novos aviões que reforçam a frota da TAP este ano, permitindo-lhe expandir a sua Rede de operações a 11 novos destinos em 2014. “A atribuição do nome de “José Saramago” a um dos aviões da nossa frota é uma enorme honra para a companhia aérea portuguesa, que, deste modo, homenageia simbolicamente um dos maiores expoentes da língua Portuguesa, evocando o Nobel pelos céus do mundo e levando, nas suas asas, o nome de José Saramago a dezenas de cidades na Europa e em África”, afirmou Luiz da Gama Mór, Administrador-Executivo da TAP.

Assinalando a entrada da aeronave em serviço, nos meses de Junho, Julho e Agosto, será exibido a bordo da frota de longo curso da companhia o filme José Saramago, o tempo de uma memória, da realizadora Carmen Castillo, celebrando desta forma a atribuição do nome de José Saramago a este novo avião da TAP.

Boa viagem!

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A Viagem do Elefante na coleção 1+1=1 da Vista Alegre

Jueves, 10.04.14

No próximo dia 15 de abril, às 18h30, a loja da Vista Alegre Atlantis no Chiado será palco da apresentação da peça A Viagem do Elefante, recriação de autoria de David de Almeida do livro de José Saramago, naquele que é o 5.º lançamento da Coleção 1+1=1, que celebra a obra de criadores consagrados. 

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Ensaio sobre a Cegueira e Ensaio sobre a Lucidez apresentados em Pequim

Jueves, 10.04.14

No dia 11 de março, o Instituto Cervantes de Pequim recebeu a sessão de apresentação de duas novas publicações de autoria de José Saramago na China. O relato da sessão chega-nos através da Rádio Internacional da China:

"O grande escritor português, José Saramago, reestreia no palco literário da China com a publicação de versões chinesas de duas de suas obras: o Ensaio sobre a Cegueira e Ensaio sobre a Lucidez. O primeiro foi republicado e, o outro, editado agora pela primeira vez. Ambos foram traduzidos pelo sr. Fan Weixin, condecorado pelo ex-presidente português, Jorge Sampaio, em 1997.

Na cerimônia de lançamento, realizada em 11 de março no Instituto Cervantes, em Beijing, foram convidados o escritor titulado com o Prêmio Man Booker Internacional, Yan Lianke, o comentarista literário, Zhi'an e a jovem escritora, Ren Xiaowen, que compartilharam com dezenas de leitores chineses seus próprios entendimentos e sentimentos sobre as obras do mestre, assim como o valor da essência das obras de José Saramago.

Ensaio sobre a Cegueira é uma das obras mais bem conceituadas de José Saramago e o tornou o único escritor do mundo lusófono a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Já incluída na lista dos "Cem Melhores Livros de Todos os Tempos", do Instituto Nobel, esta obra conta uma história de ficção. Na situação imaginária criada por Saramago, uma cidade inteira sofre uma epidemia de cegueira. Com o alastramento da doença, cada vez mais pessoas são contagiadas, passando a ter o escuro absoluto como companhia diuturna. Em consequência, a sociedade local cai no caos completo. As pessoas perdem dignidade e civilidade, passando a viver como animais. Num ambiente extremo, a natureza humana é questionada em seus mais primordiais referenciais, expondo animalescos desejos, que escaparam aos atentos olhos da vigilância social.

O escritor Yan Lianke leu o Ensaio sobre a Cegueira há 18 anos. Para ele, que leu a obra em uma sentada, o romance não ofereceu enredo complicado, mas causou-lhe indelével impacto. Segundo Yan, a grandeza de José Saramago reside no fato de que este deu vida e voz a uma ideia inusitada e até absurda, a de que os seres humanos retornam ao seu status original, revelando beleza e fealdade na conduta de pessoas, através da exposição constrangedora de peculiaridades que somente a miséria moral e socioemocional poderia oferecer.

Para os livros alegóricos, é mais cômodo e até mais fácil elaborar sátira afiada, mas o difícil é provocar emoções. Comparado com o La Peste, do escritor francês Albert Camus e 1984, do britânico George Orwell, Ensaio sobre a Cegueira consegue integrar, em si, dois aspectos: acionar o alarme da consciência e, ao mesmo tempo, comover a todos. "Neste sentido, José Saramago até supera George Orwell e Albert Camus", concluiu Yan Lianke.

O erudito Zhi'an comparou Ensaio sobre a Cegueira com o livro bíblico Gênesis, considerando que este é uma epopeia da civilização humana e, aquele, uma retrospectiva do processo de civilização humana.

Devido ao toque épico que enseja, muitos leitores comparam a obra de José Saramago a Cien Anõs de Soledad, de autoria de Gabriel Garcia Marquez, que atualmente desfruta de significativa repercussão na China. Quanto a essa comparação, Zhi'an opinou: "Marquez descreveu apenas a história de centenas de anos da América Latina mas, Saramago, todo o espectro da humanidade".

Outra característica de José Saramago é sua grande capacidade de combinar a rica imaginação e as experiências da vida, o que faz com que os seus leitores mergulhem em uma realidade absurda, sem estranheza. Como contou ele próprio, tudo o que aconteceu nesta obra pode encontrar-se na realidade. A alquimia entre o surrealismo e o realismo definiu a posição de José Saramago como grande mestre literário. Com perspicácia singular e penetrante, ele consegue pensar em coisas que outros não imaginaram, e descobrir o que outros não veem.

"Parece que havia um feixe de luz na mente de José Saramago, que iluminou todos os cantos sem perder nenhum pormenor", disse Zhi'an.

Para Yan Lianke, os grandes escritores "têm que ser uma pedra de tropeço para o progresso de outros escritores". E José Saramago é exatamente essa "pedra" para os escritores chineses. Após ler o Ensaio sobre a Lucidez, Yan Lianke repensou a literatura chinesa. Este romance conta uma farsa de sufrágio realizada na cidade, quatro anos depois de vencida a epidemia de cegueira, denunciando de forma profunda as contradições da democracia e da liberdade na sociedade humana. Da criação literária, à maneira de narrar, o português deu uma lição. Ao fazer uma introspecção sobre a literatura nacional, Yan Lianke falou: "Costumamos evitar a política e evitar os temas como democracia e liberdade. Para nós, uma obra literária tem de evitar a política. O Ensaio sobre a Lucidez prova exatamente que a política também pode ser um dos temas na criação literária."

Em 2014, serão traduzidas e publicadas na China mais obras de José Saramago, a saber, Memorial do Convento, História do Cerco de Lisboa, O Homem Duplicado e As Pequenas Memórias."

Notícia publicada na Rádio Internacional da China

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Exposição "Lanzarote, a janela de Saramago" abre no dia 10 de abril

Miércoles, 09.04.14

Na próxima quinta-feira, dia 10 de abril, João Francisco Vilhena inaugura em Lanzarote a exposição Lanzarote, a janela de Saramago, composta por 29 imagens captadas pelo fotógrafo em dois momentos distintos. Em 1998, após o anúncio da atribuição do Prémio Nobel a José Saramago, e em 2013, quando o fotógrafo voltou à ilha das Canárias para percorrer os lugares onde havia retratado o Escritor.

“Depois de fotografar José Saramago em Lanzarote fiquei com a ideia de um dia voltar, com mais calma, e ampliar de alguma maneira aquele trabalho. Achava que nos Cadernos de Lanzarote havia muitas leituras a serem feitas. Mas o tempo foi passando, se calhar eu também ainda não estava preparado, e foi só em 2012 que retomei a esse projeto”, explica Vilhena.

© João Francisco Vilhena© João Francisco Vilhena

Neste novo trabalho, Vilhena junta as suas consagradas fotos a preto e branco – que foram expostas em Estocolmo aquando da entrega do Nobel ao Escritor – a outras imagens inéditas do autor de A Jangada de Pedra, na ilha das Canárias. E coloca-as em diálogo com fotos recentes, feitas quando revisitou Lanzarote, já sem a presença do Escritor. Às imagens de Saramago e do cenário vulcânico, Vilhena acrescenta trechos extraídos dos Cadernos de Lanzarote, escritos entre 1993 e 1997.

“Esta exposição talvez seja capaz de mostrar, em imagens, a harmonia e a paz encontradas por José Saramago em Lanzarote. Também retrata o tamanho da sua ausência”, disse Pilar del Río ao ver as fotografias.

A exposição é financiada pelo Turismo de Arrecife, pelo Cabildo de Lanzarote, e conta com o apoio da Fundação José Saramago, da Casa José Saramago, do Instituto Camões e do Consulado Português em Barcelona.

Lanzarote, a janela de Saramago permanecerá na Sala de Exposições Charco de San Ginés, em Arrecife, Lanzarote, até 14 de maio. Também em maio, parte dela estará no LeV (Festival de Literatura em Viagem) de Matosinhos. No dia 10 de junho, Dia de Portugal, a exposição será inaugurada em Barcelona.

João Francisco Vilhena é autor do livro Lanzarote, a janela de Saramago, com apresentação marcada para o mês de maio em Portugal, numa edição da Porto Editora.

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