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Paulo José Miranda, el primer Prémio José Saramago, redescubierto

Martes, 08.01.13

Vive em Curitiba, no sul do Brasil, e continua a escrever compulsivamente. Paulo José Miranda, o escritor que ganhou a primeira edição do Prémio José Saramago LER/Círculo de Leitores com o romance Natureza Morta, em 1999. Desde então, pouco ou nada se sabia sobre ele e para encontrar os seus livros continua a ser necessário pesquisar nos alfarrabistas. Segundo a Notícias Magazine, o esquivo autor e as obras vão reaparecer.

Numa reportagem publicada no domingo, dia 6 de janeiro, a jornalista Joana Emídio Marques conta a história destes anos da vida de Paulo José Miranda e revela mesmo que o editor Gonçalo Bulhosa, do Grupo Leya, propôs ao escritor a reedição da obra dispersa e rara.

Para saber mais, basta ler o texto:

Notícias Magazine

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Raised from the ground, la versión inglesa criticada por Ursula Le Guin en The Guardian

Viernes, 04.01.13

A escritora Ursula K. Le Guin publicou no jornal britânico The Guardian uma extensa crítica à versão em inglês de Levantado do Chão [Raised from the ground] de José Saramago, com tradução de Margaret Jull Costa, publicada pela editora Harvill Secker em novembro de 2012. Para a escritora norte-americana, Levantado do Chão contém a melhor cena de morte que alguma vez leu em romance. Num texto empolgante em que cita várias vezes o discurso de Saramago na entrega do Premio Nobel, Ursula Le Guin realça que já neste romance o autor revelava "uma voz madura, tranquila, coloquial e fácil, muitas vezes irónica e com um humor cativante". Aqui segue a tradução do texto de Ursula Le Guin, premiada com o Memorial Astrid Lindgren e com o Prometheus:

 

Nos últimos dois séculos, os romances têm sido escritos sobretudo por autores da classe média para leitores da classe média. Romances sobre os muito pobres, os oprimidos e os camponeses não são escritos por nem para as pessoas sobre as quais falam. Assim, tendem a assumir um tom distanciado, sociológico, e são terrivelmente deprimentes – sugestivos, crus, sem esperança e, necessariamente, brutais. Os dois grandes romances norte-americanos dos oprimidos, “A Cabana do Pai Tomás” [Harriet Beecher Stowe, 1852] e “As Vinhas da Ira” [John Steinbeck, 1939], salvam-se dessa frieza ameaçadora graças à paixão dos autores pela justiça e ao afetuoso respeito pelos seus protagonistas. O mesmo acontece com o romance inicial do escritor português José Saramago “Levantado do Chão”, com um valioso bónus: o autor escreve sobre pessoas com as quais cresceu, a sua gente, a sua família.

 

 

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La Quinzaine Littéraire elogia édicion francesa de "Levantado del suelo"

Viernes, 04.01.13

O romance Levantado do Chão (1980) acaba de ser publicado pela Seuil em França, com o título Relevé de terre, numa tradução do português feita por Geneviève Leibrich. O crítico Hugo Pradelle analisa a obra na Quinzaine Littéraire, considerando-o "um hino esplêndido à liberdade e à dignidade reencontrada dos homens". Eis a tradução desta crítica publicada naquela revista literária na primeira quinzena de janeiro:

 

Este é um romance inédito no qual Saramago conta, com verve e seriedade, a história de uma família de rurais muito pobres das planícies áridas do Alentejo, desde o início do séc. XX até à Revolução de 1974. Um texto onde surgem ao mesmo tempo as premissas de um projeto literário de grande alcance, uma visão da História, a natureza de uma obra celebratória da ficção e uma língua de uma riqueza fascinante. Um hino esplêndido à liberdade e à dignidade reencontrada dos homens.

 

Levantado do chão, publicado em Portugal em 1980, é seguramente um romance social, um fresco impressionante dessa “gente solta e miúda”, um hino aos humildes, aos que a História ignora e relega para o fim do mundo, lá onde podem estragar-se infinitamente, triturados por um trabalho esgotante, quase desumano, isolados de tudo, atormentados por uma fome abjeta, exangues das privações e das “penúrias”, confundidos numa repetição infinita e insensível. Como se estivessem aprisionados numa terra que os formata, insignificantes, enredados num ciclo sem fim. “A terra é só crosta seca— ou lamaçal, não importa. Cozem-se ervas, vive-se disso, e os olhos ardem, o estômago faz-se tambor, e vêm as longas, dolorosas diarreias, o abandono do corpo que se desfaz de si próprio, fétido, canga insuportável. Apetece morrer, e há quem morra.”

 

 

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