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Póvoa de Varzim, dia #2

Viernes, 21.02.14

(Miguel Real Patrícia Portela e Valério Romão (Foto: Ricardo Viel)

A economia vai muito mal. Há uma crise generalizada, inclusive de esperança, que deixa o ânimo das pessoas pelo chão, mas a literatura, por sorte, goza de boa saúde. Eduardo Lourenço já havia, na véspera, feito tal diagnóstico, e a sua hipótese ganhou força no segundo dia das Corrente d’ Escritas, nesta 15ª edição do encontro.

Depois de uma quinta-feira em que figuras consagradas como Antonio Gamoneda, Lídia Jorge, Maria Teresa Horta foram as estrelas, os holofotes nesta sexta foram dirigidos a autores da nova geração, muitos deles mais jovens do que a democracia em Portugal.

Já no primeiro encontro matinal, o escritor e crítico literário Miguel Real saiu em defesa dos novos nomes da literatura do país. Há qualidade, há novidade, força e frescor, afirmou o crítico. “Os novos escritores sabem o que estão a fazer”, destacou Real, que citou o uso de um novo vocabulário e “pequenas ousadias literárias” como algumas das contribuições da nova safra de literatos. Para Real, quem critica essa produção literária pode estar a cometer o erro de olhar para os dias atuais com olhos do passado. São diferentes, mas também são bons, foi a sua mensagem. “Portugal mudou, e a literatura mudou também, como os leitores e os escritores”, resumiu.

Ao seu lado estavam Patrícia Portela e Valério Romão, ambos nascidos em 1974, dois bons motivos para acreditar que essa foi mesmo uma muito boa safra. Carismática, Patrícia Portela divertiu o público com um discurso cheio de voltas que brincava com o enigmático título da mesa: palavra + correntes = x. Romão, que definiu a fala da colega como “jazzística”,  por conta dos improvisos e alterações de grau e intensidade, anunciou que seu texto tinha um caráter “moralista”. Falou da bondade, da felicidade e da vida, e também fez música. Quem fechou a manhã foi Afonso Cruz – que além de escritor é músico e ilustrador. Outra marca da nova geração: muitos deles transitam entre mais de um campo artístico. João Gobern, que mediava a mesa, definiu os “novos” como aqueles que usam tablets, em contraponto com os escritores que usam papel e caneta. “O que interessa é que escrevam bem”, decretou o mediador. 

(Valter Hugo Mãe Foto: Correntes d'Escrita)

Durante a tarde, numa mesa onde a poesia deu o tom, o muito jovem João Moita (1984) sentou-se ao lado de Ana Luisa Amaral – “tenho 36 anos, mas ainda escuto os conselhos do meu pai”, disse ela de entrada - para demonstrar que boa poesia e pouca idade não são incompatíveis. Mas o momento especial da sessão ficou a cargo de Valter Hugo Mãe, que apesar dos vários prémios (Portugal Telecom e José Saramago incluídos) e de uma obra já longa, tem apenas 42 anos. “Quero ler um texto mal criado e um texto bem criado”, anunciou. Primeiro leu um trecho do seu último romance, A Desumanização. E em seguida, com a sua fala mansa e o seu ar de monge, literalmente arrancou lágrimas dos presentes ao narrar uma infância poética de xixis nos muros, de velhinhos pedófilos e de senhoras amáveis a mostrar as mamas aos putos. Em alguns momentos teve que interromper a leitura pelos risos, os seus.

Ainda houve mais "jovens", como João Ricardo Pedro e Ana Margarida de Carvalho, a falar de literatura. E talvez tão bom quanto saber que há uma nova safra de escritores em Portugal que têm talento, são atrevidos e bem humorados, é ver que a geração mais “experiente”, em geral, tem curiosidade para saber o que os que começam a aparecer têm a dizer. Prova disso era Lídia Jorge a fazer perguntas aos jovens sobre o conceito deles de autenticidade, e Rui Zink de papel e caneta na mão a tomar nota da sessão de poesia. Isso para não falar da delicadeza de Eduardo Lourenço que, momentos antes do início da mesa das 17h, subiu ao palco só para cumprimentar Hugo Mãe. Apenas isso. Foi aplaudido, como não poderia deixar de ser.

Ricardo Viel

* este texto foi escrito antes do início da última sessão noturna, que tinha a participação, entre outros, de Ondjaki, Manuel Jorge Marmelo, Rui Zink e Miguel Sousa Tavares. Havia imensa expectativa pelo que poderia sair dessa reunião.

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Póvoa de Varzim, dia #1

Jueves, 20.02.14

Manuel Jorge Marmelo, Prémio Casino de Póvoa de 2014 (Foto: Correntes d'Escritas)  

“Se calhar, este prémio vem no momento mais difícil da minha vida. Como tantos portugueses, estou desempregado”, disse, visivelmente emocionado, Manuel Jorge Marmelo (1971, Porto) depois de ouvir que Uma Mentira Mil Vezes repetida, seu romance, fora agraciado com o Prémio Literário Casino de Póvoa de 2014. “É uma injeção de ânimo”, completou o escritor.
Tratava-se do momento mais aguardado da sessão de abertura da 15ª edição das Correntes d’Escritas, na Póvoa de Varzim, que teve início nesta quinta-feira (20) e se estende até ao próximo sábado (22). 
Após o anúncio do prémio foi a vez de Rui Zink, no papel de representante dos escritores do encontro, tomar a palavra para quebrar um pouco o ar solene da cerimónia. “Vou falar de números porque dá um ar sério”, disse, e deu início a um discurso que arrancou risos e aplausos do público, mesmo quando parecia dizer coisas sérias. “A literatura salvou a minha vida, ensinou-me a lidar com a perda, a amar e a perder a virgindade aos 38 anos, aqui na Póvoa”. Irónico e bem-humorado, Rui Zink também criticou o pragmatismo do mundo atual, celebrou a “inutilidade da literatura”, e comemorou os 15 anos das Correntes: “são um verdadeiro milagre”.

Ainda na sessão inaugural houve espaço para celebrar a vida e a obra de Maria Teresa Horta (1937, Lisboa), que, ao assumir o microfone, distribuiu poesia aos presentes. “Recebo esta homenagem como umas asas que me fazem voar para trás”, e justificou a metáfora ao falar da sua trajetória e da sua paixão pela literatura. “Eu sou a minha poesia”, resumiu a poeta que conseguiu algo cada vez mais raro nos dias de hoje: um silêncio quase pleno da audiência. Foi escutada com atenção – nenhum telemóvel soou, nenhuma conversa paralela, nenhuma tosse – ao defender o empoderamento feminino e ao declarar o seu amor pela linguagem: “A poesia para mim é sinónimo de prazer e maravilhamento”. 

 (O Dossiê da Revista Correntes d’Escritas é dedicado a Maria Teresa Horta. Foto: Alfredo Cunha)

Depois do almoço foi a vez do professor Adriano Moreira – com o auditório do Hotel Axis totalmente lotado (600 lugares ocupados e pessoas sentadas nas escadas) proferir a conferência de abertura das Correntes. Aos 91 anos, o presidente do Instituto de Altos Estudos da Academia das Ciências de Lisboa fez uma ode à língua portuguesa.

A tarde ainda reservava a intervenção de Antonio Gamoneda (prémio Cervantes e Rainha Sofia), cabeça de cartaz de uma mesa de grandes nomes das letras: Ungulani Ba Ka Khosa, João de Melo, Lidia Jorge e Eduardo Lourenço.

Simpático e humilde, o poeta espanhol começou o seu discurso dizendo ser difícil falar depois do “maestro” Eduardo Lourenço – quem, na sua intervenção, havia sido crítico quanto aos tempos atuais, mas finalizara com palavras de esperança: “Sempre teremos alguma terra e alguma provisão”.

Gamoneda esclareceu que discursaria em espanhol por respeito ao português -  “Gostaria de falar português, mas tentá-lo seria uma ofensa a uma língua tão amada” - e retrocedeu aos primórdios para falar sobre o poder da palavra, e a beleza do ritmo que elas podem ter quando bem usadas. “A palavra, entendo eu, foi a origem do pensamento. Só quando foi capaz de dar nome ao fruto o homem pôde criar a presença intelectual do fruto”, disse o poeta espanhol.

Contou uma anedota sobre a neta para defender que fazer poesia é uma atividade natural do ser humano. “Minha neta, quando tinha quatro anos, disse: "la luna sangra en el río." O verso, um octossílabo perfeito, como explicou Gamoneda, não era de Lorca, ponderou, mas de uma miúda: “Acidentalmente ela tinha feito poesia, libertado uma impregnação rítmica de uma palavra que mal conhecia, é óbvio.”
Para finalizar, Gamoneda defendeu a “inocência do poeta”, que como o homem primitivo parte do não saber para exercer um “poder subversivo e revelador”.

Foi um primeiro dia de agenda cheia, que ainda contou com a apresentação de livros, exibição de documentários, exposições, e sessões de leituras. Notava-se no ambiente uma alegria e leveza raras nos dias de hoje e que só podem ser fruto da generosidade dos presentes – como Eduardo Lourenço, que além de compartilhar o seu imenso conhecimento em duas mesas, assistiu na primeira fila a todos os demais atos – e do “prazer e maravilhamento” que a literatura proporciona, como pela manhã havia dito, com tanta razão, a poeta Maria Teresa Horta. 

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Blimunda # 21, fevereiro 2014

Miércoles, 19.02.14

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A Blimunda de fevereiro dá destaque ao início do Ano Cortázar, com duas crónicas, assinadas por Pilar del Río e Ricardo Viel sobre o Grande Cronópio.

Sara Figueiredo Costa escreve sobre o último trabalho de Miguel Gonçalves Mendes, Nada Tenho de Meu, diário de viagem filmado e escrito na companhia de João Paulo Cuenca e Tatiana Salem Levy.

Organizado pela Fundação Tomás Eloy Martínez, pela revista Anfíbio e pela editora Planeta, a primeira edição do Prémio de Crónicas La Voluntad teve como vencedora a crónica de María Silvina Prieto, condenada a prisão perpétua por um erro que prefere não pormenorizar, que nos conta uma experiência  vivida nos dias de prisão.

No infantil e juvenil, Andreia Brites entrevista Teresa Calçada, coordenadora da Rede de Bibliotecas Escolares e precursora dos caminhos da leitura pública em Portugal.

A fechar, a Saramaguiana publica uma leitura a partir de Ensaio sobre a Cegueira, por Eula Carvalho Pinheiro, e um texto de Joan Morales Alcudia, autor do livro recentemente editado em Espanha, Saramago por José Saramago.

Blimunda N.º 21 - fevereiro 2014 by Fundação José Saramago

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O Perseguidor - 12 de fevereiro, 18h30 - Jardim de Inverno Teatro São Luiz

Miércoles, 12.02.14

Se fosse vivo, Julio Cortázar, um dos maiores escritores da literatura latino-americana, completaria cem anos em 2014. Para recordar o escritor argentino, que faleceu há 30 anos, uma série de actos serão realizados em todo o mundo no decorrer deste ano. 

A Fundação José Saramago, a Casa da América Latina e o Teatro São Luiz decidiram juntar-se às comemorações do “Ano Cortázar” e organizar em parceria uma homenagem ao autor de Rayuela. No dia 12 de fevereiro – data da sua morte – será realizada no Jardim do Teatro São Luiz a leitura de trechos do conto O Perseguidor e serão interpretados alguns temas de Charlie Parker, jazzista que inspirou o escritor argentino a escrever o texto mencionado.

A seleção e leitura encenada de fragmentos do conto fica a cargo de José Rui Martins, do Trigo Limpo – Teatro ACERT, e a música será executada por Carlos Martins, Carlos Barretto, Mário Delgado e Alexandre Frazão. O espetáculo é gratuito e tem início às 18h30. As entradas podem ser levantadas nas bilheterias do Teatro São Luiz a partir das 13h horas do dia 12 de fevereiro. 

 Sobre Cortázar, alguns artigos publicados nesta semana: 

Queremos tanto a Julio
(Texto de Juan Cruz, no El País

Autorretrato de Cortázar a lo "rayuela", en el 30 aniversario de su muerte
(El País)

El abecedario no alcanza para agotar el mundo de Cortázar
(Texto de Silvina Freira, no Página 12)

La eterna nalga de Cortázar 
(Texto de Ariel Dorfman, no Página 12)

Museo de la vida eterna
(Julio Ortega, Revista Ñ)

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Recorrido turístico de El año de la muerte de Ricardo Reis

Martes, 11.02.14

Miss Lisbon, en colaboración con la Fundación José Saramago, organiza a partir de febrero un recorrido turístico en Lisboa, siguiendo la ruta de "El año de la muerte de Ricardo Reis". La primera edición tendrá lugar el día 22, con cita a las 14h30 en el Cais das Colunas. El recorrido incluye la visita a la Fundación José Saramago - Casa dos Bicos. 

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Novo poster e novo trailer de Enemy

Sábado, 01.02.14

Mais informações aqui.

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