Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Em Português


José Saramago en la portada de la última edición de la brasileña Bravo!

Jueves, 15.08.13
A revista brasileira Bravo! deste mês de agosto traz Saramago como reportagem principal. A publicação aborda a chegada ao Brasil do ensaio "Da Estátua à Pedra" e dedica oito páginas ao escritor português.
As imagens que ilustram o artigo são do fotógrafo português João Francisco Vilhena e o texto do jornalista brasileiro Ricardo Viel.
A edição de número 192 será a última da Bravo!. Depois de quase 17 anos a revista será "descontinuada", como anunciou a editora Abril no começo do mês. Segundo a empresa, a publicação, que tem uma tiragem de cerca de 30 mil exemplares mensais, nos últimos anos tem dado prejuízo.
O editor da Bravo!, Armando Antenore, publicou uma emotiva carta de despedida na última edição da revista. Nela, José Saramago e o avô Jerónimo são mencionados.
Leia a carta do editor:

A Flip e demais festas literárias que se espalham pelo Brasil são a prova: escrever com desenvoltura e originalidade não significa necessariamente ter aptidão para dar conferências, mediar debates ou mesmo jogar conversa fora num boteco. Nem todos os romancistas, poetas e contistas dominam a narrativa oral. O português José Saramago certamente não pertencia à turma dos ruins de papo. Em geral, quando decidia enfrentar uma palestra ou entrevista, assumia contornos de Sherazade e discorria sobre inúmeros temas de maneira hipnótica. Quem o escutava saía da experiência quase sempre maravilhado. Como mostra a reportagem que ganhou a capa desta edição, Saramago discursou para uma seleta plateia de intelectuais na primavera de 1998, em Turim.

Durante mais ou menos uma hora, relembrou os antepassados, reviu a própria carreira e identificou diferenças entre os livros que publicou – tudo de improviso, com graça e clareza desconcertantes. O pronunciamento, transcrito, resultou em 28 páginas.

O fim da apresentação recuperava uma história que o literato já contara outras vezes e que continua me emocionando. Quando beirava os 73 anos, Jerónimo, o avô materno de Saramago, sofreu um acidente vascular cerebral. O infortúnio não parecera tão grave de início, mas depois se revelou preocupante. O médico recomendou, então, que o paciente abandonasse a aldeia onde morava e se internasse num hospital de Lisboa. Jerónimo – um homem rude, analfabeto, que criava porcos – dividia com a mulher uma casa simples, de apenas dois cômodos e chão de barro. No quintal, plantara umas quantas oliveiras, figueiras e pereiras. Mal a carroça que o levaria à estação ferroviária chegou, o velho, pressentindo que não retornaria, saiu do casebre e abraçou cada uma das árvores. Não emitiu nenhuma palavra. Somente chorou baixinho e enlaçou a minúscula floresta.

O episódio me impressiona sobretudo pela contenção. Para se despedir dos seres mansos e quietos que lhe encheram os dias de sentido, o camponês optou por um gesto igualmente manso e quieto. Não lamentou o rumo que as coisas tomaram, não amaldiçoou as transformações que presenciava nem as que deixaria de presenciar, não fez elogios às árvores, não recordou os bons momentos que compartilharam. Resignou-se em dizer tudo o que gostaria sem dizer nada. Ironicamente, tempos depois, o neto de Jerónimo se notabilizaria justo pelo contrário: pela necessidade incontornável de atar a vida às palavras. Não quaisquer palavras, é claro, mas ainda assim palavras – e copiosas, fluidas, abrangentes.

Ocorre que, em determinadas circunstâncias, atitudes semelhantes às do avô têm impacto maior que posturas como as do neto. Há despedidas que não encontram tradução. O que falar diante de um amigo que se muda para bem longe, um amor que morre, um projeto querido que se interrompe? Às vezes, o melhor – o mais preciso e eloquente – é dar adeus em silêncio.

Armando Antenore
Redator-chefe

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado por Fundación Saramago





Destacados

Ver todas las noticias

Amigos de la Fundación José Saramago


Librería/Tienda de la Fundación José Saramago


Además


Sonidos de la Fundación


Blimunda


Serviço educativo



La Fundación
Somos lo que dice el documento José Saramago firmado en Lisboa el 29 de junio de 2007. Somos la Fundación José Saramago.
Más información | E-mail

Buscar

Pesquisar no Blog  

La Casa dos Bicos

La Casa dos Bicos, edificio del siglo XVI situado en la calle Bacalhoeiros, Lisboa, es el hogar de la Fundación José Saramago.

La Casa dos Bicos se puede visitar de lunes a sábado de 10h a las 18h (última entrada a las 17h30m).
Leer más


A Casa José Saramago en Lanzarote

La casa hecha de libros se puede visitar de lunes a sábado de 10h a las 14h30. También se puede caminar virtualmente, aquí.

Reciba nuestro boletín de noticias


#saramago no Twitter



Archivo mensual

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D

TripAdvisor

Parceiros institucionais:

Parceiro tecnológico:

Granta