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Póvoa de Varzim, dia #1

Jueves, 20.02.14

Manuel Jorge Marmelo, Prémio Casino de Póvoa de 2014 (Foto: Correntes d'Escritas)  

“Se calhar, este prémio vem no momento mais difícil da minha vida. Como tantos portugueses, estou desempregado”, disse, visivelmente emocionado, Manuel Jorge Marmelo (1971, Porto) depois de ouvir que Uma Mentira Mil Vezes repetida, seu romance, fora agraciado com o Prémio Literário Casino de Póvoa de 2014. “É uma injeção de ânimo”, completou o escritor.
Tratava-se do momento mais aguardado da sessão de abertura da 15ª edição das Correntes d’Escritas, na Póvoa de Varzim, que teve início nesta quinta-feira (20) e se estende até ao próximo sábado (22). 
Após o anúncio do prémio foi a vez de Rui Zink, no papel de representante dos escritores do encontro, tomar a palavra para quebrar um pouco o ar solene da cerimónia. “Vou falar de números porque dá um ar sério”, disse, e deu início a um discurso que arrancou risos e aplausos do público, mesmo quando parecia dizer coisas sérias. “A literatura salvou a minha vida, ensinou-me a lidar com a perda, a amar e a perder a virgindade aos 38 anos, aqui na Póvoa”. Irónico e bem-humorado, Rui Zink também criticou o pragmatismo do mundo atual, celebrou a “inutilidade da literatura”, e comemorou os 15 anos das Correntes: “são um verdadeiro milagre”.

Ainda na sessão inaugural houve espaço para celebrar a vida e a obra de Maria Teresa Horta (1937, Lisboa), que, ao assumir o microfone, distribuiu poesia aos presentes. “Recebo esta homenagem como umas asas que me fazem voar para trás”, e justificou a metáfora ao falar da sua trajetória e da sua paixão pela literatura. “Eu sou a minha poesia”, resumiu a poeta que conseguiu algo cada vez mais raro nos dias de hoje: um silêncio quase pleno da audiência. Foi escutada com atenção – nenhum telemóvel soou, nenhuma conversa paralela, nenhuma tosse – ao defender o empoderamento feminino e ao declarar o seu amor pela linguagem: “A poesia para mim é sinónimo de prazer e maravilhamento”. 

 (O Dossiê da Revista Correntes d’Escritas é dedicado a Maria Teresa Horta. Foto: Alfredo Cunha)

Depois do almoço foi a vez do professor Adriano Moreira – com o auditório do Hotel Axis totalmente lotado (600 lugares ocupados e pessoas sentadas nas escadas) proferir a conferência de abertura das Correntes. Aos 91 anos, o presidente do Instituto de Altos Estudos da Academia das Ciências de Lisboa fez uma ode à língua portuguesa.

A tarde ainda reservava a intervenção de Antonio Gamoneda (prémio Cervantes e Rainha Sofia), cabeça de cartaz de uma mesa de grandes nomes das letras: Ungulani Ba Ka Khosa, João de Melo, Lidia Jorge e Eduardo Lourenço.

Simpático e humilde, o poeta espanhol começou o seu discurso dizendo ser difícil falar depois do “maestro” Eduardo Lourenço – quem, na sua intervenção, havia sido crítico quanto aos tempos atuais, mas finalizara com palavras de esperança: “Sempre teremos alguma terra e alguma provisão”.

Gamoneda esclareceu que discursaria em espanhol por respeito ao português -  “Gostaria de falar português, mas tentá-lo seria uma ofensa a uma língua tão amada” - e retrocedeu aos primórdios para falar sobre o poder da palavra, e a beleza do ritmo que elas podem ter quando bem usadas. “A palavra, entendo eu, foi a origem do pensamento. Só quando foi capaz de dar nome ao fruto o homem pôde criar a presença intelectual do fruto”, disse o poeta espanhol.

Contou uma anedota sobre a neta para defender que fazer poesia é uma atividade natural do ser humano. “Minha neta, quando tinha quatro anos, disse: "la luna sangra en el río." O verso, um octossílabo perfeito, como explicou Gamoneda, não era de Lorca, ponderou, mas de uma miúda: “Acidentalmente ela tinha feito poesia, libertado uma impregnação rítmica de uma palavra que mal conhecia, é óbvio.”
Para finalizar, Gamoneda defendeu a “inocência do poeta”, que como o homem primitivo parte do não saber para exercer um “poder subversivo e revelador”.

Foi um primeiro dia de agenda cheia, que ainda contou com a apresentação de livros, exibição de documentários, exposições, e sessões de leituras. Notava-se no ambiente uma alegria e leveza raras nos dias de hoje e que só podem ser fruto da generosidade dos presentes – como Eduardo Lourenço, que além de compartilhar o seu imenso conhecimento em duas mesas, assistiu na primeira fila a todos os demais atos – e do “prazer e maravilhamento” que a literatura proporciona, como pela manhã havia dito, com tanta razão, a poeta Maria Teresa Horta. 

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Correntes d' Escritas abre hoje as portas

Miércoles, 20.02.13

Começa hoje à noite, na Póvoa de Varzim, a 14ª edição do Festival Literário Correntes d"Escritas que este ano vai homenagear os escritores Urbano Tavares Rodrigues e Manuel António Pina.

A edição deste ano contará com a presença de mais de 50 escritores (de Portugal, Angola, Espanha e Brasil), tradutores, editores, designers, ilustradores, jornalistas que se vão espalhar por várias escolas da cidade, por mesas redondas, onde se vai debater literatura, e pelos vários lançamentos de livros que decorrem durante os três dias que dura o evento.

Este ano serão muitas as estrelas do firmamento literário de a marcar presença no festival. Entre eles estarão a brasileira que venceu o último prémio Saramago, Andrea del Fuego, os espanhóis Ignácio Martínez de Píson, Susana Fortes e Domingo Villar, os portugueses , António Mega-Ferreira, Vasco Graça Moura, Valter Hugo Mãe, Hélia Correia, Rui Zink, Richard Zimmler ou Nuno Camarneiro (prémio Leya) num evento em que a poesia estará em destaque.

Na quinta feira de manhã será entregue o prémio literário Casino da Póvoa (no valor de 20 mil euros), para o qual são candidatas obras de Ferreira Gullar, Manuel António Pina, Hélia Correia, Fernando Guimarães, José Agostinho Baptista, Armando Silva Carvalho, Luís Filipe Castro Mendes e Bernardo Pinto de Almeida. Na mesma altura será lançada a revista Correntes d"Escritas, dedicada, ao escritor Urbano Tavares Rodrigues que, por motivos de saúde, não poderá marcar presença no festival literário.

Olhando com atenção para o programa literário do Festival não são claramente visíveis os ajustamentos orçamentais feitos pela autarquia uma vez que, como explica Luís Diamantino, "se taparam buracos financeiros alargaram significativamente a rede de parcerias" embora tenham deixado de patrocinar a 100% a vinda dos escritores. "Essa despesa passou a ser feita pelas embaixadas e pelas próprias editoras". Talvez por esta razão seja notória a ausência de pequenas editoras face a uma massiva presença dos grandes grupos editoriais como a Porto Editora e a Leya. Das pequenas editoras destaca-se a presença da Abysmo, que vai lançar o livro de Rui Vieira, No Labirinto do Centauro.

Para além das mesas redondas e lançamentos, para as quais são esperadas cerca de cinco mil pessoas, haverão ainda exposições de fotografia e a entrega dos prémios porto editora e Ler/Booktailors.

Quem já passou pela Póvoa em dias de Correntes sabe que o afluxo de público nos eventos é impressionante para um país que supostamente "não gosta de ler". Por essa razão Luís Diamantino promete que para o ano haverá um cineteatro a estrear para acolher cerca de 500 pessoas por sessão.

O programa completo pode ser consultado aqui.

Fonte: DN

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Correntes d'Escritas 2012

Jueves, 23.02.12

A Póvoa de Varzim recebe a partir de hoje mais uma edição das Correntes d'Escritas. Até ao dia 25 de Fevereiro, mais de cinquenta autores passarão pelos diversos espaços que habitualmente acolhem a programação deste festival literário. À semelhança de anos anteriores, o Auditório Municipal será o epicentro de todo o encontro com um conjunto de mesas dedicadas aos mais diversos temas. Também este ano está prevista a visita de um conjunto de autores a escolas do concelho para, aí, contactarem com alunos, aproximando os leitores de muitos daqueles que conhecem apenas através

das páginas de livros. No Hotel Axis Vermar terão lugar diversas sessões de apresentação de livros. No último dia das Correntes, a partir das 19.30 Horas, serão apresentados os vencedores dos Prémios Ler/Booktailors, que na sua primeira edição distinguiram a Fundação José Saramago, juntamente com a Editorial Caminho, com o prémio de Promoção de Autor Português. Ainda no sábado, comemora-se o 25º aniversário da revista Ler.

Hoje, no primeiro dia das Correntes, foi anunciado o nome do vencedor do Prémio Literário Casino da Póvoa, que distinguiu Rubem Fonseca, este ano presente na Póvoa de Varzim, pelo seu livro Bufo & Spallanzani (Sextante Editora). A edição deste ano da Revista das Correntes, hoje apresentada, é integralmente dedicada a Eduardo Lourenço.

A programação integral pode ser consultada aqui.

O acompanhamento do dia-a-dia das Correntes pode ser feito através dos seguintes blogues:

Cadeirão Voltaire
Bibliotecário de Babel
Blogtailors
Ciberescritas
A Volta do Parafuso

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