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Eduardo Lourenço, 91 años

Viernes, 23.05.14

José Saramago ajusta os óculos de Eduardo Lourenço (Foto de Eduardo Cabrita)


Nesta sexta-feira, dia 23 de maio, o ensaísta e filósofo Eduardo Lourenço completa 91 anos de vida. José Saramago manteve com o "professor", como é conhecido, uma grande amizade que se baseava, também, num enorme respeito intelectual mútuo. Nesta data, além de desejar muitas felicidades a Eduardo Lourenço, a Fundação José Saramago recupera um texto escrito por Saramago em 2008, no qual recorda uma divertida sessão de fotografias de que ambos foram protagonistas. 

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Segunda-feira, 13 de Outubro de 2008


Eduardo Lourenço
Sou devedor contumaz de Eduardo Lourenço desde 1991, precisamente há dezassete anos. Trata-se de uma dívida um tanto singular porque, sendo natural que ele, como lesado, não a tivesse esquecido, já é menos habitual que eu, o lesante, ao contrário do que com frequência sucede em casos semelhantes, nunca a tenha negado. Porém, se é certo que jamais me fingi distraído da falta, há que dizer que ele também não consentiu que eu me deixasse enganar pelos seus silêncios tácticos, que de vez em quando interrompia para perguntar: “Então essas fotografias?” A minha resposta era sempre a mesma: “Ó diabo, tenho tido muito trabalho, mas o pior de tudo é que ainda não pude mandar fazer as cópias”. E ele, tão invariável como eu: “As fotografias são seis, tu ficas com três e dás-me as restantes”, “Isso nunca, era o que faltava, tens direito a todas”, respondia eu, hipocritamente magnânimo. Ora, é tempo de explicar que fotografias eram estas. Estávamos, ele e eu, em Bruxelas, na Europália, e andávamos por ali como quaisquer outros curiosos, de sala em sala, comentando as belezas e as riquezas expostas, e connosco ia o Augusto Cabrita, de máquina em riste, à procura do instantâneo imortal. Que pensou haver encontrado num momento em que Eduardo Lourenço e eu nos havíamos detido de costas para uma tapeçaria barroca sobre um tema desses históricos ou míticos, não sei bem. “Aí”, ordenou Cabrita com aquele ar feroz que têm os fotógrafos em situações de alto risco, como imagino que eles as consideram. Ainda hoje estou sem saber que diabinho me levou a não tomar a sério a solenidade do momento. Comecei por compor a gravata do Eduardo, depois inventei que os óculos dele não estavam bem ajustados e dediquei-me a pô-los no seu sítio, de onde nunca haviam saído. Começámos a rir-nos como dois garotos, ele e eu, enquanto o Augusto Cabrita aproveitava, com sucessivos disparos, a ocasião que lhe tinha sido oferecida de bandeja. Esta é a história das fotografias. Dias depois o Augusto Cabrita, que morreria passados dois anos, mandou-me as imagens tomadas, crendo, decerto, que elas ficariam em boas mãos. Boas eram, ou não de todo más, mas, como já deixei explicado, pouco diligentes.Tempos depois deu-me para escrever o romance Todos os Nomes, o qual, conforme pensei então e continuo a pensar hoje, não poderia ter melhor apresentador que o Eduardo. Assim lho fiz saber, e ele, bom rapaz, acedeu imediatamente. Chegou o dia, a sala maior do Hotel Altis a rebentar pelas costuras, e do Eduardo Lourenço nem novas nem mandadas. A preocupação respirava-se no ar carregado, algo deveria ter sucedido. Além disso, como toda a gente sabe, o grande ensaísta tem fama de despistado, podia ter-se equivocado de hotel. Tão despistado, tão despistado que, quando finalmente apareceu, anunciou, com a voz mais tranquila do mundo, que tinha perdido o discurso. Ouviu-se um “Ah” geral de consternação, que eu, por obra dos meus maus instintos, não acompanhei. Uma suspeita atroz me havia assaltado o espírito, a de que o Eduardo Lourenço decidira aproveitar a ocasião para se vingar do episódio das fotografias. Enganado estava. Com papéis ou sem eles, o homem foi brilhante como sempre. Pegava nas ideias, sopesava-as com o falso ar de quem estava a pensar noutra coisa, a umas deixava-as de lado para um segundo exame, a outras dispunha-as num tabuleiro invisível esperando que elas próprias encontrassem as conexões que as potenciariam, entre si e com alguma da segunda escolha, mais valiosa afinal do que havia parecido. O resultado final, se a imagem é permitida, foi um bloco de ouro puro.A minha dívida tinha aumentado, ultrapassara em tamanho o buraco de ozono. E os anos foram passando. Até que, há sempre um até que para nos pôr finalmente no bom caminho, como se o tempo, depois de muito esperar, tivesse perdido a paciência. Neste caso foi a leitura recente de um ensaio de Eduardo Lourenço, Do imemorial ou a dança do tempo, na revista “Portuguese Literary & Cultural Studies 7” da Universidade de Massachusetts Dartmouth. Resumir essa extraordinária peça seria ofensivo. Limitar-me-ei a deixar constância de que as famosas cópias já se encontram finalmente em meu poder e de que o Eduardo em poucos dias as receberá. Com a maior amizade e a mais profunda admiração.

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publicado por Fundación Saramago

Blimunda # 23, abril 2014

Domingo, 20.04.14

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Numa data tão simbólica para Portugal, a Blimunda não poderia ficar alheia ao aniversário de 40 anos do 25 de Abril. Neste mês a revista dedica boa parte dos seus conteúdo à celebração da Revolução dos Cravos. Do acervo de Vasco Gonçalves, em depósito na Fundação José Saramago, recuperam-se 15 cartazes do 25 de Abril, acompanhados por frases de 15 convidados, de diferentes países, sobre o significado desse momento histórico. Sara Figueiredo Costa escreve sobre Os Rapazes dos Tanques, de Alfredo Cunha e Adelino Gomes, um precioso registo da manhã em que a democracia renasceu. Há ainda espaço para A Hora da Revolução: vinte anos depois, um texto escrito por Eduardo Lourenço em 1994, inédito em português, e para O sabor da palavra Liberdade, discurso proferido por José Saramago em 1990.

Na secção Infantil e Juvenil, o 25 de Abril está em destaque com um mosaico de obras revolucionárias publicadas antes de 1974. Andreia Brites conversa com as três editoras independentes que este ano marcaram presença na Feira do Livro Infantil de Bolonha com espaço próprio.

A abrir este número, num dos poucos textos sem referência ao 25 de Abril, Sara Figueiredo Costa publica as suas impressões sobre a terceira edição do festival literário Rota das Letras, em Macau.

Até Maio!

Blimunda N.º 23 - abril 2014 by Fundação José Saramago

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Ensayista Eduardo Lourenço gaña Prémio Jacinto Prado Coelho

Miércoles, 20.11.13

O ensaísta Eduardo Lourenço venceu o prémio Jacinto do Prado Coelho pela obra "Tempo da música. Música do tempo", revelou hoje à Lusa fonte do Centro Português da Associação Internacional de Críticos Literários.

O prémio, no valor de cinco mil euros e que distingue ensaios literários, foi atribuído por unanimidade a Eduardo Lourenço, por uma obra, publicada em 2012, que reúne textos inéditos de Eduardo Lourenço seleccionados pela historiadora de arte e musicóloga Barbara Aniello.

O júri, composto por Clara Rocha, Maria João Reynaud e Teresa Martins Marques, justificou a escolha pela "qualidade indiscutível da obra, reconhecida por pessoas da área da literatura bem como da musicologia".

O prémio será entregue na quinta-feira, às 18h30, na Sociedade Portuguesa de Autores, em Lisboa.

"Tempo da música. Música do tempo" reúne 212 reflexões (datadas entre 1948 e 2006) de Eduardo Lourenço sobre música, que estavam dispersas em folhas avulsas, em agendas de bolso, páginas soltas ou agrafadas, algumas encontradas dentro de livros, que Barbara Aniello foi juntando, inventariando e catalogando no espólio do ensaísta.

Numa reflexão, Eduardo Lourenço escreveu: "Certamente se um dia voltar para Deus, a nenhuma outra coisa o deverei senão a estas estradas de uma melancolia lancinante que, desde o canto gregoriano até Messiaen, devoram em mim o sentimento da realidade do mundo visível".

 

Foto: Nelson Garrido/Público

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Debate sobre Europa el sábado en Lisboa

Viernes, 18.10.13

A sessão de hoje sobre Portugal e a Europa terá transmissão em directo, aqui:

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Blimunda # 13, junho 2013

Martes, 18.06.13

A Blimunda comemora neste mês de Junho o seu primeiro aniversário!

E se Junho é mês de Festas de Lisboa, as sardinhas que desde há dez anos lhe servem de imagem não podiam deixar de marcar presença nas páginas da revista.

Neste número, destaque para o humor com uma entrevista de Sara Figueiredo Costa a Ricardo Araújo Pereira, humorista, cronista, recentemente distinguido com o Grande Prémio de Crónica, da Associação Portuguesa de Escritores. Também no mesmo dossier um retrato do colectivo Mongolia, responsável por uma edição regular de um jornal de humor em que as notícias ditas sérias não deixam de ter o seu espaço.

No infantil e juvenil, uma viagem de Andreia Brites pelo trabalho que Miguel Horta, mediador de leitura, escritor, pintor, contador de histórias, realiza nas prisões portuguesas desde há vários anos, com uma paragem obrigatória no Estabelecimento Prisional de Guimarães, palco das Novas Memórias do Cárcere.

Ainda nesta secção, destaque para o livro Irmão Lobo, de Carla Maia de Almeida, para a coleção Pássaro Livre (Livros Horizonte) e para uma selecção de novidades que viram a luz do dia na última edição da Feira do Livro de Lisboa.

A fechar o número do primeiro aniversário da Blimunda, damos voz a José Saramago e a Eduardo Lourenço em dois textos sobre este nome que a revista da Fundação José Saramago escolheu como seu. E como Junho é mês de viagens, uma visita ao projeto que o ACERT tem em mãos, o da adaptação teatral do romance de José Saramago, A Viagem do Elefante.

No fim deste primeiro ano de publicações regulares da Blimunda, uma palavra de agradecimento a todos os que com ela têm colaborado, afirmando esta publicação como um espaço vivo, um espaço de cultura abrangente, atento à realidade dos nossos dias.

A todos, o nosso obrigado!

Blimunda N.º 13 - junho 13 by Fundação José Saramago

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Mensagem de Eduardo Lourenço na inauguração

Miércoles, 13.06.12

Nenhuma Cassandra podia vaticinar que a geração da Utopia que foi a de José Saramago encontraria, entre estes muros lembrados do império perdido, a sua capela ardente e maravilhosamente imperfeita. A realidade superou a ficção. Mas só o fez porque, antes, a ficção, os sonhos de papel de um poeta filho da terra e da sua transcendência, converteu as suas fábulas em fábulas de ninguém e de toda a gente. Os muros sem norte desta casa que a capital do País achou por bem conceder ao romancista que pôs o nome da sua terra no ecrã literário do mundo são o rosário de contos que o nosso fabulista-mor consagrou à sua musa Blimunda e ao numeroso séquito que a acompanhará para sempre. Com Saramago entra nesta casa uma geração que desejou de olhos abertos, se não mudar o mundo, torná-lo digno de ser salvo da sua irredenta inumanidade. Cada um à sua maneira, Jorge de Sena, Vergílio Ferreira, Agustina, traz a sua luminosa sombra para fazer companhia ao autor de “Memorial do Convento” e de “Todos os Nomes”. Cada autor digno de memória resume a literatura do povo a que pertence e do mundo inteiro. Que ao menos aí sejamos a chama da única pátria que os ventos da História não apagam da nossa memória precária.

 

 Eduardo Lourenço, Vence, 12 de junho de 2012

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