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Em Português

A Blimunda em Macau (5)

Lunes, 18.03.13

O festival literário de Macau, Rota das Letras, chegou ao fim. Nos últimos dois dias houve espaço para mais debates entre escritores, cinema (com a estreia em Macau de Na Escama do Dragão, de Ivo Ferreira), música (a cantora de Taiwan, Joanna Wang, actuou na sexta-feira e no sábado foi a vez de os Dead Combo e Camané conquistarem a plateia da Cotai Arena, na Taipa) e mais conversas, nomeadamente sobre a Festa Literária Internacional de Paraty, que está em Macau representada pelo seu director, Mauro Muñoz. No último debate, já apresentado como um pós-evento, ontem, mas ainda ecoando a energia que o festival imprimiu à cidade, Ricardo Pinto e Hélder Beja (o director e o sub-director do Rota das Letras, respectivamante) fizeram um balanço muito positivo da edição deste ano, que trouxe um número maior de convidados e conseguiu, através da dispersão dos locais do programa, chegar a um público muito mais diversificado, quer nas escolas que receberam os escritores, quer em espaços espalhados pela cidade como o Albergue, o Instituto Português do Oriente, o Centro Cultural de Macau ou a Casa Garden, onde se situa a Fundação Oriente.

Sem ponto de comparação relativamente à edição anterior, quem chega pela primeira vez fica com a impressão de que o Rota das Letras, estando ainda a dar os primeiros passos, tem as condições e a equipa necessárias para crescer sem trair os seus objectivos e para se afirmar como um espaço de discussão e encontro entre a literatura, as artes e o pensamento de autores de várias origens e expressões, nomeadamente entre autores da China continental, de Macau e dos países onde se fala português, já que esse é o ponto de partida deste projecto, ainda assim notoriamente disponível para convocar autores de outras origens, algo que só pode valorizar um encontro como este.

Sara Figueiredo Costa, com a Blimunda, em Macau.

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publicado por Fundación Saramago

A Blimunda em Macau (4)

Viernes, 15.03.13

Comissariada por Alice Kok, a exposição Para Além das Palavras integra a Rota das Letras como um espaço de diálogo entre literatura e artes plásticas. Artistas chineses, portugueses e de outras nacionalidades, muitos residindo em Macau, ocuparam o espaço do antigo tribunal com obras criadas especialmente para o festival.

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A Blimunda em Macau (3)

Jueves, 14.03.13

No espaço do Albergue, um antigo asilo ligado à Santa Casa da Misericórdia, Paloma Amado falou sobre a obra de Jorge Amado, seu pai, numa homenagem que incluíu a inauguração de uma pequena exposição dedicada à vida e à obra do escritor. Com a sala cheia, Paloma partilhou com a audiência o desjo que o seu pai sempre teve de vir a Macau. Jorge Amado esteve na China por três vezes, duas nos anos 50 (na companhia de Nicolás Guillén, primeiro, e de Pablo Neruda, na segunda vez), e uma nos anos 80, já com a filha, mas nunca chegou a conhecer Macau. "Mas agora, de uma certa forma, aqui estamos, meu pai e eu, na Rota das Letras. Ele veio comigo e o medo de andar de avião já não o atrapalha".

O reconhecimento universal de Jorge Amado foi ilustrado por Paloma a partir de uma história passada há poucos anos, em Roma. Paloma estava num café e ao lado sentava-se um casal vindo do Cazaquistão. Conversaram e Paloma disse que os seus pais conheciam o Cazaquistão, coisa que deixou surpreendido o casal. Quando lhe perguntaram em que contexto os seus pais teriam visitado o país, Paloma disse que o pai era escritor e o casal perguntou quem era o seu pai. Quando Paloma revelou que era filha de Jorge Amado, o homem sorriu e confessou-se grande leitor do autor e que os seus pais tinham, em casa, duas prateleiras apenas com livros de Jorge Amado. Aqui em Macau, essa mesma popularidade confirma-se, independentemente da língua em que os seus muitos leitores o recebem.

Sara Figueiredo Costa, com a Blimunda, em Macau.

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A Blimunda em Macau (2)

Miércoles, 13.03.13

A manhã de ontem foi passada na Universidade de Macau, do lado da Taipa, depois da travessia de uma ponte ondulante que cruza as lagoas, parecendo flutuar entre a água e a neblina. Hong Ying, Luís Cardoso, Vanessa Bárbara e Pan Wei falaram sobre a sua escrita e o seu precurso biográfico perante um auditório cheio de alunos do Departamento de Inglês. As intervenções passaram pelas leituras feitas ao longo da vida, pelo processo de escrita e sobretudo pelas memórias, confirmando que a infância é um território inesgotável ao qual a literatura tanto deve. A minha atenção, no entanto, estava focada nos autores chineses. Por um lado, interessava-me perceber como se relacionam estes autores com um espaço social e cultural onde a censura é pedra de toque. E quanto a isso, Hang Ying deixou claro que é preciso ter algum cuidado com o que se escreve, não querendo desenvolver mais o assunto, enquanto Pan Wei ajudou a quebrar algumas das minhas ideias feitas quando referiu váriosmautores estrangeiros que o influenciaram (Byron, antes de todos) e quando disse que ler livros de todas as partes do mundo é essencial para exercermos antentativa, táo vã quanto imprescindível, de tentarmos compreender esse mundo. A surpresa deve-se ao facto de essa ideia ter sido, de certa forma, contrariada no primeiro painel da Rota das Letras, aquele que discutiu a globalização mas em que os autores chineses presentes não se mostraram muito interessados no contacto com o mundo forado seu país. Digamos que três dias em Macau, num festival onde convivem escritores de vários pontos do mundo, começam a permitir o estabilizar de algumas ideias e uma delas é a constatação do abismo que existe entre autores chineses e autores de qualquer outra parte. Temo que esta ideia deva muito ao desconhecimento, na medida em que a literatura chinesa contemporânea é um território vastíssimo no qual sou praticamente ignorante, e igualmente na medida em que o pouco ou nenhum convívio com o Oriente sem ser através dos livros, do cinema e de outras expressões artísticas, ou mesmo através da internet que tudo parece aproximar, não me permite decifrar determinados códigos comportamentais. Digamos que, por mais de uma vez, desconfiei que aquilo que me parecia frieza e distância começa a parecer, no caso de alguns escritores, formalidade. E depois há a questão da língua, barreira inultrapassável apesar de todos os intérpretes. Nunca, em nenhum outro contexto, foi tão claro que não há forma possível de estabelecer uma comunicação plena, no perfeito domínio de todas as nuances, todas as metáforas e todos os trocadilhos, a não ser conhecendo a língua alheia.Tenho a certeza de que os meus dias de Macau não chegarão para decifrar a situação, mas esse é o gesto inalcançável de qualquer viagem a lugares que se desconhecem. Certo é que por mais que os livros nos mostrem o mundo, não chegam para o confronto necessário e desejável para se conhecer, realmente, o outro lado das coisas.

Sara Figueiredo Costa, com a Blimunda, em Macau

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Festival Literário de Macau com acompanhamento na página da Fundação José Saramago

Lunes, 11.03.13

De 10 a 16 de março, Macau recebe a segunda edição da Rota das Letras, Festival Literário de Macau. Durante uma semana, mais de três dezenas de escritores, jornalistas, músicos, realizadores partilham um espaço comum para criadores chineses e dos países de língua portuguesa.

A Fundação José Saramago e a revista Blimunda estão representadas na Rota das Letras e a partir de hoje e nos próximos dias faremos o acompanhamento do Festival através dos textos de Sara Figueiredo Costa, editora da Blimunda:

A abertura oficial da Rota das Letras fez-se com a presença das autoridades locais e os representantes das várias instituições associadas ao festival literário de Macau, numa cerimónia que começou com a solenidade do cortar de fitas e prosseguiu com a Dança do Dragão no largo do Centro da Ciência de Macau.

Já no auditório, e depois dos discursos da praxe, o festival começou com uma mesa de debate dedicada ao tema da globalização, com a participação de Mauro Munhoz (director da Festa Literária Internacinal de Paraty) e dos escritores Bi Feiyu, Yi Sha, Luís Cardoso, José Eduardo Agualusa, Lei Chi Pan e Dulce Maria Cardoso, moderados por Agnes Lan. Ao painel juntou-se, a partir da plateia, Alexandra Lucas Coelho.

A discussão sobre a influência e as perspectivas dos escritores num mundo globalizado, título da mesa, revelou olhares muito díspares sobre o assunto, com alguma cautela revelada por parte dos escritores chineses, sobretudo Be Feiyu e Yi Sha, da China Continental, relativamente a uma possível perda de identidade cultural num espaço onde todas as influências se cruzam sem qualquer barreira, e os autores de língua portuguesa, entusiasmados com as hipóteses que o contacto entre influências de todas as partes do mundo abre a quem faz da literatura o seu trabalho. Se no início do debate essa cautela manifestada pelos autores chineses parecia dever-se sobretudo a questões de ordem política, relacionadas com o regime chinês e as suas reservas relativamente à recepção de determinadas influências do exterior, com o decorrer da conversa ficou claro que a apreensão se devia mais a uma ligação forte com a cultura chinesa, rica e muito antiga, e com um certo medo de perder as raízes num mundo onde as raízes parecem já não estar em parte alguma. José Eduardo Agualusa, que na sua intervenção inicial destacou isso mesmo, dizendo que "a literatura universal é o primeiro território do escritor", seguido da língua e da sua infância (matéria inesgotável e sempre presente, mesmo que não explicitamente, em qualquer obra), acabou por sintetizar a questão da globalização dizendo que não perdemos nada quando aprendemos mais sobre a cultura do outro, o que acontece é que acrescentamos algo à nossa própria cultura. E se alguém esperava um exemplo literário para ilustrar a afirmação, o autor angolano preferiu referir um vídeo de enorme popularidade que circula pelo Youtube onde pode ver-se um chinês, emigrante em Angola, dançando kuduro com um requebrar que, diz o autor, faz inveja a qualquer angolano apreciador da dança: "aquele homem não perdeu absolutamente nada do seu património cultural, mas em compensação ganhou uma coisa nova para juntar a esse património". Ficou a dúvida sobre se os autores chineses partilhariam deste entusiasmo, na medida em que a tradução simultânea se revelou pouco eficaz. Essa foi, aliás, a grande falha do debate, já que nem sempre foi fácil acompanhar o que diziam os autores chineses, o que deixou no ar a suspeita de que o mesmo poderia estar a acontecer no sentido inverso. Por outro lado, essa dificuldade acabou por funcionar como um relembrar constante de que todas as ilusões sobre a tão falada globalização encontram sempre uma barreira mais difícil de transpor do que qualquer outra questão identitária, e essa barreira é, precisamente, a língua, porque não há linguagem gestual nem expressividade humana que quebrem algumas das fronteiras mais essenciais quando se trata de chegar ao outro - para o confirmar, deste lado do mundo, basta andar na rua e tentar comprar comida, pedir uma indicação sobre uma rua ou entrar num táxi para o perceber, e não se trata de antipatia ou qualquer outra má vontade que o preconceito possa querer inventar, e sim dessa barreira inultrapassável composta por sistemas linguísticos absolutamente distintos.

Um festival como a Rota das Letras, que tem como um dos seus princípios programáticos a criação de espaços de diálogo entre escritores de diferentes expressões e culturas, não poderia ter escolhido melhor painel para abrir os debates. As fortes marcas identitárias de cada um dos autores revelaram, ao mesmo tempo, a forte ligação à cultura de origem, nuns casos, e a vontade de definir uma identidade com os fragmentos de todas as culturas por onde se pode ir passando ao longo de uma vida, noutros, e essas posturas, mais do que antagónicas, acabaram por cruzar-se no espaço privilegiado para o encontro que é a literatura. Aí, para lá de todas as diferenças no modo de olhar o mundo e de com ele estabelecer relações, há sempre um ponto de encontro privilegiado e possível, mesmo que para isso seja imprescindível recorrer ao trabalho desses outros agentes cujo nome raramente surge nas capas dos livros mas sem os quais não teríamos como aceder a grande parte da criação literária universal: os tradutores.

Sara Figueiredo Costa, com a Blimunda em Macau

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